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quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Shabat


A Torá, em seu primeiro livro (Bereshit - Gênesis), conta que Deus criou o mundo em seis dias e, no sétimo, descansou, santificando-o.

De acordo com o calendário lunar, em que os dias têm início e fim ao por-do-sol, o Shabat começa no final da tarde da sexta-feira, encerrando-se ao escurecer do sábado.

Tradicionalmente, o dia sagrado e festivo da semana judaica, o Shabat é conhecido por seus costumes (mandamentos positivos, ou mitzvot positivas) e pela proibição de inúmeras atividades (mitzvot negativas).

Antes da tarde de sexta, ou mesmo na quinta, muitas famílias começam a preparar-se para o Shabat, comprando comida e arrumando a casa para "recebê-lo".

Inicia-se o Kabalat Shabat com o acendimento das velas, cerca de 18 minutos antes do anoitecer, quando já é possível avistar estrelas a olho nu no céu.
Em seguida, muitas família vão à sinagoga, inclusive um grande número de pessoas que não têm o costume de ir nos demais dias da semana, fazendo do Shabat o dia de maior movimento, exceto pelos feriados.

À noite, o costume é uma refeição familiar festiva, que inclui um kidush abençoando o vinho e o pão. Pela manhã do sábado, é lida a Parashat haShavúa na sinagoga, ocasião em que muitos aproveitam para celebrar o seu Bar-Mitzvá.

Os dois principais mandamentos relacionados ao Shabat são Zachor (Lembrarás) e Shamor (Guardarás), simbolizados pela preparação especial, pela alegria em receber o Shabat, pela lembrança de que Deus descansou no Shabat e assim também devemos fazer nós, e também pelas duas velas acesas pelas mulheres: uma para cada mandamento.

As leis que regem este descanso proíbem, portanto, um vasto leque da atividades considerados trabalho. Estas leis, entretanto, podem (e devem!) ser deixadas de lado para preservar o principal valor do Judaísmo: a vida.

Desta maneira, não há problema algum no funcionamento de hospitais e demais serviços essenciais à vida, assim como a defesa do Estado através do exército e outras forças de segurança, além de atividades excepcionais, como dirigir um carro para levar alguém ao hospital.

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Curiosidades sobre o Shabat:

- Mulheres grávidas são consideradas, do ponto de visto religioso judaico, como pessoas adoecidas, sendo permitido realizar trabalho para, por exemplo, cessar-lhes um desejo de comer uma sobremesa que não há em casa.

- Em localidades próximas ao Pólo Norte, onde não escurece durante o verão, e não há sol no inverno, é comum observar o Shabat de acordo com o horário da principal comunidade judaica da região (por critérios históricos, mas também por questões de fuso-horário). Por exemplo, no Alasca, o Shabat é iniciado e encerrado de acordo com o horário de Seattle (EUA) e no extremo norte da Europa, usam-se como referência algumas cidades alemãs.

- No caso de um homem morar sozinho, ou encontrar-se sozinho em casa na hora do acendimento das velas, não há problema em fazê-lo, apesar de ser uma atribuição preferencialmente da mulher.

- O casal que mantém relações sexuais no Shabat (especialmente, na noite de sexta para sábado) está cumprindo uma mitzvá dupla: procriação + alegrar-se no Shabat!

- A lista das atividades proibidas está aqui.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Leitura para o feriado: Divisões étnicas e correntes religiosas dentro do Judaísmo

O Povo Judeu, de maneira geral e simplificada, pode ser dividido de acordo com duas classificações: origem da família e corrente religiosa.

Do ponto de vista "étnico", é preciso retornar ao ano 70, quando da destruição do Segundo Templo, em Jerusalém, que consolidou o domínio romano sobre a região e disparou a Diáspora (dispersão) dos judeus pelo mundo. A partir dessa dispersão, pode-se fazer a primeira divisão, ainda que grosseira, do povo, entre os que viveram na Europa (da França à Rússia) , chamados de Ashkenazim, e os que habitaram os países em torno do Mar Mediterrâneo (Espanha, Portugal, Grécia, Turquia, Norte da África e Oriente Médio), chamados de Sefaradim ou Mizrachim.

Por razões óbvias, durante os primeiros 1500 anos de Diáspora, não se encontravam judeus na América, nem na Oceania. Em função disso, os judeus que hoje estão nesses continentes seguem os costumes de seus antepassados, sejam eles Ashkenazim ou Sefaradim/Mizrachim. Essas divisões refletem, em linhas gerais, apenas a forma com que os judeus de diversas partes do mundo se acostumaram a observar a religião e exercer o seu judaísmo. Poucas são as diferenças na essência do que praticam Ashkenazim e Sefaradim/Mizrachim, entretanto, as origens de cada parcela da população judaica explicam as diferentes correntes religiosas dentro do Judaísmo.

Até o século XIX, todos os judeus eram religiosos. Os Sefaradim/Mizrachim por viverem em países onde a religião nunca sofreu nenhum tipo de reforma, ainda que apresentassem os mais variados níveis de prática/observância, assim como os muçulmanos e católicos, que constituíam a maioria nos países em que viviam. Os Ashkenazim, por viveram praticamente isolados das sociedades européias nas quais estavam inseridos, nos shteitls, guetos, etc, com um razoável nível de auto-governo, segundo as leis judaicas.

No século XIX, após a emancipação dos judeus ashkenazim (principalmente franceses e alemães) criou-se um dilema entre a vida 100% judaica dos guetos e shteitls e inserção/assimilação nas sociedades pós-Iluminismo. A partir disso, deu-se a Reforma Judaica, no início de século XIX, na Alemanha. Quando muitas práticas e crenças judaicas foram adaptadas e criou-se e conceito de "judeu em casa, cidadão na rua". Chegou-se a afirmar que o Judaísmo era apenas uma religião e que os judeus eram estritamente alemães, franceses, etc. Nesse ponto, conseqüentemente, foi criado o termo "Judaísmo Ortodoxo", para se referir àqueles que optaram por não reformar suas práticas, mantendo-se da maneira como consideravam correta e tradicional. Os sefaradim/mizrachim não passaram por nada disso, uma vez que a maioria dos países em que se localizavam seguiam no era do pré-Iluminismo.

Na virada do século XIX pro XX, alguns judeus reformistas consideravam que a Reforma havia ido longe demais, que as diferenças entre o Judaísmo Reformista e o Judaísmo (agora chamado de) Ortodoxo criaram um abismo tão grande e resolveram criar um novo movimento, intermediário. Surgiu então o Judaísmo Conservador (esse nome pode soar sinônimo de ortodoxo, pelo peso da conotação social e econômica do termo, mas eles se consideravam conservadores em relação aos Reformistas e não aos Ortodoxos). De novo, os sefaradim/mizrachim não passaram por esses reflexões, afinal viviam em países que até o dia de hoje ainda não vivenciaram o Iluminismo, e dessa forma chegaram a Israel.

Atualmente, em muitos países, a comunidade judaica é composta tanto por Ashkenazim quanto por Sefaradim, sendo as comunidades da Diáspora compostas em sua maioria por Ashkenazim, com algumas grandes minorias de Sefaradim, e a população israelense divida virtualmente ao meio entre as duas comunidades.

Dessa forma, é possível afirmar que as comunidades judaicas da Diáspora, especialmente nos países de língua inglesa (Estados Unidos, Grã-Bretanha, Austrália, Canadá), mas também em outros países de população majoritariamente protestante ou laica (Alemanha, por exemplo), se dividem entre as correntes Ortodoxa, Reformista e Conservadora. Por outro lado, nas países de maioria islâmica ou católica (América Latina, inclusive), é possível afirmar que quase todas as sinagogas são ortodoxas, sejam elas de rito Ashkenazi ou Sefaradi, ainda que existam valorosos exemplos de grandes congregações reformistas e conservadoras.

Em Israel, pela origem Sefaradi/Mizrachi de metade da população e pelo posicionamento laico de grande parcela dos Ashkenazim que para lá emigraram, as correntes "intermediárias" não se fazem muito presentes. É possível dividir os judeus de Israel entre três grandes blocos (ignorando solenemente suas subdivisões internas, para fins de facilitar a compreensão): cerca de 20% se consideram religiosos ou ultra-ortodoxos, aproximadamente 30% declaram-se laicos, conectados ao Judaísmo por laços como família, tradição, cultura, idioma e nacionalismo. Entre estes extremos, está uma grande parcela Tradicionalista, baseada nessa idéia mais comum nos países de maioria católica e muçulmana, segundo a qual não é necessário posicionamento especifico quanto a correntes, e sim a prática religiosa, ainda que segundo os mais variados níveis de prática/observância.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Complementando...

Ainda sobre o assunto da peulá do último sábado, duas análises acerca da definição de Judaísmo:

"A distinção fundamental entre religião e etnia é estranha ao Judaísmo, que não se encaixa facilmente em critérios ocidentais convencionais, tais como religião, etnia e cultura. Grande parte dos 4.000 anos de Judaísmo são anteriores à ascensão da cultura ocidental e/ou ocorreram fora do Ocidente. Durante este tempo, os judeus vivenciaram escravidão, auto-governo anárquico e teocrático, conquista, ocupação e exílio; nas Diásporas, estiveram em contato e foram influenciados pelas culturas dos egípcios, babilônios, persas, gregos, assim como por movimentos modernos, como o Iluminismo e a ascensão do nacionalismo, que daria frutos através de um Estado Judeu no Levante. Também assistiram a uma elite inteira converter-se ao Judaísmo (os Cazares) e, posteriormente, os viram desaparecer quando o centro de poder das terras que dominavam cairam nas mãos de povos russos e mongóis. Desta maneira, o Judaísmo rompe todas as categorias de identidade, por não ser nacional, genealógico, nem religioso, mas todos ao mesmo tempo"

Daniel Boyarin

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"A religião e a tradição se confundem, e fazem parte de um mesmo todo. Não há religião judaica sem tradição judaica e vice-versa. Não há como separar uma coisa da outra. O judaísmo é um todo, composto de muitas facetas inter-relacionadas e misturadas que formam um verdadeiro mosaico ou, se quiser, um caleidoscópio que está sempre se reconstruindo e ganhando novas formas e cores, mas sem perder a sua identidade e essência!"

Uri Lam

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Cineclube - O TANGO DE RESHEVSKI


Esse filme bombou muito, olha o sorriso da galera